Habitua-te à simplicidade!!!

((Chico Xavier))

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

 

Ó!  que saudade do luar da minha terra,
lá na serra, branquejando folhas secas pelo chão!
Este luar, cá da cidade, tão escuro,
não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão 

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

Se a lua nasce por detrás da verde mata
mais parece um sol de prata,
prateando a solidão!
E a gente pega na viola, que ponteia,
e a canção é a lua cheia,
a nos nascer do coração! 

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

Quando vermelha, no sertão desponta a lua,
dentro d’alma onde flutua,
também  rubra.
Nasce a dor!
E a lua sobe...
E o sangue muda em claridade!...
E a nossa dor muda em saudade...
branca... assim... da mesma cor!!!

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

Ai! Quem me dera
que eu morresse lá na serra,
abraçado à minha terra,
e dormindo de uma vez!
Ser enterrado numa gruta pequenina,
onde, à tarde, a sururina
chora a sua viuvez! 

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

Diz uma trova,
que o sertão todo conhece,
que, se à noite, o céu floresce,
nos encanta, e nos seduz,
é porque rouba dos sertões
as flores belas com que faz essas estrelas
lá do seu jardim de luz!!!  

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

Mas como é lindo ver, depois,
por entre o mato, deslizar,
calmo, o regato,
transparente como um véu,
no leito azul das suas águas,
murmurando, ir, por sua vez,
roubando  as estrelas lá do céu!!! 

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

A gente fria desta terra, sem poesia,
não se importa com esta lua,
nem faz caso do luar!
Enquanto a onça,
lá na verde capoeira,
leva uma hora Inteira, 
vendo a lua, a meditar!  

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

Coisa mais bela neste mundo
não existe, do que ouvir 
um galo triste, no sertão, 
se faz luar!!!
Parece até que a alma da lua
é que descanta, escondida na garganta
desse galo a soluçar! 

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

Se Deus me ouvisse com amor
e caridade, me faria esta  vontade,
- o ideal do coração!
Era que a morte, a descantar,
me surpreendesse,
e eu morresse,  numa noite de luar,
no meu sertão!

Não há 
Ó gente
Ó não
Luar,
Como esse
Do sertão
 (bis)

É Jesus que vem de novo falar ao coração do Povo!!!

((Chico Xavier))

(Música: Luar do Sertão)

Letra e música: Catulo da Paixão Cearense 
 
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